Eduardo Sartorato
A campanha eleitoral em Goiás e no Brasil entra na reta final com muito esforço dos candidatos, dúvidas por parte dos eleitores e questões a serem respondidas pelos analistas e palpiteiros de plantão. Apesar do fato de que tudo está em aberto até o fechamento das urnas, pesquisas, histórico, cultura eleitoral e feeling dão mostras de qual rumo a votação de domingo (4/10) irá tomar. Mesmo assim, várias perguntas-chave, chamadas de “um milhão de dólares”, continuam sem respostas, com muita gente tentando decifrá-las até o dia da votação.
Um motivo crucial para que ainda existam muitas dúvidas sobre quem vencerá o pleito de domingo é o costume de grande parte do eleitorado brasileiro. Muitos eleitores deixam para definir o voto poucas horas antes de registrá-lo nas urnas. Não é raro quando, alguns deles, tomam a decisão no caminho do colégio onde está registrado para votar. Isso cria um imenso desafio para os profissionais preverem o resultado final, mesmo se tratando dos melhores institutos de pesquisa ou dos analistas mais experientes.
Corrida para o Senado está aberta
Em Goiás, a pergunta mais feita dentre as pessoas que debatem política todos os dias é: “Quem serão os dois novos senadores que representarão o Estado a partir de 2027”? O cenário, por si só, já é complexo, com pelo menos cinco candidatos bem viáveis. São eles: Gracinha Caiado (UB), Gustavo Gayer (PL), Zacharias Calil (MDB), Gustavo Mendanha (PRP) e Vanderlan Cardoso (PSD). Soma-se a isso a grande indefinição do eleitorado, principalmente em relação ao segundo voto, muitas vezes definido apenas nos últimos minutos.
Há algumas semanas, escrevi sobre como as eleições anteriores para o Senado tiveram guinadas impressionantes na reta final de campanha em Goiás. Para este ano, Gracinha e Gayer aparecem como favoritos segundo várias pesquisas, mas sem nenhuma garantia de que realmente serão eleitos.
Na semana passada, o CEO do instituto AtlasIntel, Andrei Roman, esteve em palestra na sede da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e justificou a não divulgação do cenário de Senado – na pesquisa divulgada em setembro – pela dificuldade de ter uma boa acertabilidade, exatamente pelas movimentações finais do eleitorado. Assim, essa será uma disputa que deverá render idas e vindas até o final da apuração, com uma provável boa dose de emoção aos envolvidos.
Daniel Vilela favorito para o governo
Para o governo do Estado, a grande dúvida é se a eleição terminará, ou não, no primeiro turno. O governador Daniel Vilela (MDB) lidera em todas as pesquisas, com um porcentual próximo a 50% dos votos válidos. Esse é o porcentual necessário para decidir o pleito na primeira etapa. O desfecho, porém, ainda é incerto. Se houver segundo turno, outra questão em aberto é quem será o seu adversário.
Algumas pesquisas já colocam o senador Wilder Morais (PL) em segundo lugar. Outras, porém, ainda mantêm o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) como provável adversário de Vilela em um hipotético segundo turno. Os votos da extrema direita, que muitas vezes aparecem na reta final da campanha, podem ser o combustível necessário para Wilder se firmar em segundo. Muitos, porém, acreditam que o eleitorado mais ligado a Marconi prevalecerá, e o ajudará a ficar na frente do senador.
Presidência deve ter campanha de segundo turno
Ainda temos o cenário nacional, onde a realização de um segundo turno parece certa. De acordo com as pesquisas, o chamado voto útil tem levado o senador Flávio Bolsonaro (PL) a se aproximar mais do presidente Lula (PT) nas intenções de voto do primeiro turno. A existência, porém, de candidaturas com expressividade local, como as dos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além do escritor Augusto Cury (Avante) e do empresário Renan Santos (Missão), deve assegurar um número suficiente de votos para garantir a segunda etapa da disputa.
Se previsões para o primeiro turno das eleições já são uma tarefa difícil, descobrir quem será eleito no segundo turno, que ainda se realizará em pouco menos de um mês, é algo praticamente impossível. Tudo indica que uma disputa entre Lula e Flávio, nomes que representam a polarização da política brasileira nos últimos anos, só será definida na reta final. De qualquer forma, o resultado do primeiro turno já dará uma boa pista do que poderá ocorrer. Aguardemos, ansiosamente, os números que sairão das urnas, e que representarão a vontade do povo goiano e brasileiro.

