Eduardo Sartorato
O governador Daniel Vilela (MDB) conseguiu se reeleger em primeiro turno com uma votação expressiva de 59,2% dos votos válidos na noite deste domingo (4/10). Com isso, o MDB volta a vencer um pleito eleitoral em Goiás, coisa que não ocorria desde 1994. Naquele ano, o vitorioso foi Maguito Vilela, pai de Daniel, que derrotou a então deputada federal Lúcia Vânia (ex-PSDB) no segundo turno daquela eleição.
Antes, com a alcunha de PMDB, o partido venceu quatro eleições seguidas para o governo do Estado e se tornou profundamente hegemônico no Estado. Elegeu, por vários pleitos, todos os senadores do Estado e a grande maioria dos prefeitos, dos deputados estaduais e federais. Iris Rezende era o grande líder do partido e consolidou-se como tal durante as Diretas Já, movimento que lutou pelo fim do Regime Militar no Brasil. Elegeu-se governador por duas vezes – uma em 1982 e outra em 1990.
PMDB perdeu em 1998 e encolheu
Em 1998, Iris teve uma improvável derrota para o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). A partir de então, o PMDB caiu em profunda penúria. Foram seis derrotas seguidas para o governo do Estado, sendo quatro vezes para Marconi, uma para o ex-governador Alcides Rodrigues (ex-PP) e outra para Ronaldo Caiado (ex-DEM). Em 2022, Daniel ratificou a aliança com Caiado, alinhada desde 2014 com Iris Rezende, e foi vice na chapa.
Agora, Daniel vence o pleito no primeiro turno com uma margem expressiva de votos, coisa que nem seu pai conseguiu no áureo tempo do PMDB. Desafios terá aos montes pela frente, principalmente em tocar o governo com a sombra de Caiado, que deixou a administração com uma avaliação muito grande e não terá cargo eletivo, já que concorreu, sem sucesso, à presidência da República.
Acomodação de grupos será desafio de Daniel
Caiado teve uma votação bem baixa para o Planalto, inclusive em Goiás, com apenas 12,3%. Mostra força, porém, ao ajudar na reeleição de Daniel e na de sua esposa, Gracinha Caiado (UB), para o Senado. A acomodação de grupos de Daniel e Caiado no governo será o primeiro dos grandes desafios que o emedebista terá pela frente. Historicamente, isso geralmente divide bases de apoio – por exemplo, a cisão entre iristas e maguitistas, no governo de Maguito, e entre marconistas e alcidistas, no governo de Alcides.
O ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) foi a surpresa positiva na eleição para o governo. Depois de ser escolhido como última opção, após a negativa da deputada federal Adriana Accorsi (PT) em ser candidata, o petista entregou quase 10% dos votos válidos. Do outro lado, Marconi Perillo é o destaque negativo. Ex-governador por quatro mandatos, terminou com apenas 8,7% dos votos. Algo que ninguém conseguiria prever na época em que ele dominava a política goiana. E não foi pouco tempo.

