Reajuste de 7,25% na energia destaca a necessidade de diversificação do suprimento industrial, aponta Fieg

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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, no último dia 20 de outubro, o reajuste tarifário anual da Equatorial Goiás, que terá um efeito médio de 7,25% na conta final dos consumidores. As novas tarifas começam a valer em 22 de outubro para todos os clientes da área de concessão do Estado. O impacto dessa medida é detalhado em uma nota técnica do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), divulgada nesta quinta-feira (22/10), que também sugere alternativas para o setor produtivo.

Impactos do Reajuste

Para a indústria e o comércio de grande porte, que operam conectados em alta tensão, o reajuste será de 7,22%. Na baixa tensão, o aumento será de 7,26%, enquanto os consumidores residenciais enfrentarão um acréscimo de 7,36%. O presidente do Coinfra, Célio Eustáquio de Moura, comentou sobre a pressão que esse reajuste impõe ao setor produtivo goiano: “O reajuste aprovado mantém uma contínua pressão sobre os custos operacionais do setor industrial em Goiás e exige das empresas um rigoroso planejamento energético”, afirmou.

Necessidade de Alternativas

Diante desse cenário desafiador, Célio Eustáquio ressalta a importância de buscar alternativas. “Há urgência para que as indústrias avaliem estratégias de diversificação e otimização do suprimento energético”, indica o empresário.

Investimentos na Infraestrutura

De acordo com a nota, desde o início da concessão, no final de 2022, a Equatorial Goiás tem acelerado seu plano de investimentos para a recuperação e modernização da infraestrutura de distribuição. Nos últimos doze meses, foram aplicados R$ 2,62 bilhões no Estado, sendo R$ 2,36 bilhões direcionados especificamente para a ampliação e reforma de redes e subestações. O valor acumulado de investimentos nos últimos anos já ultrapassa R$ 6 bilhões.

O presidente do Coinfra-Fieg reconhece a relevância desses aportes, mas reforça que eles também impactam as tarifas. “Os investimentos são indispensáveis para sanar gargalos históricos de capacidade e atender à crescente demanda industrial, mas cada ciclo de forte expansão de capital resulta em impacto tarifário direto para a sociedade e para a indústria”, destaca.

Regulações e Tarifa

O documento explica que, segundo a regulação da Aneel, os investimentos em ativos imobilizados, como subestações, linhas de distribuição e transformadores, passam a integrar a Base de Ativos de Remuneração da concessionária. “A medida visa garantir à distribuidora duas parcelas de cobertura tarifária: a remuneração do capital, que é a taxa de retorno sobre o capital próprio e de terceiros aplicados nas obras, e a quota de depreciação regulatória, que é a recuperação do valor dos bens ao longo de sua vida útil”, explica Gustavo Vergara, gerente de Desenvolvimento Industrial da Fieg.

Série Histórica de Tarifas

Conforme análise da Gedin-Fieg, as tarifas de energia elétrica em Goiás entre 2023 e 2026 apresentaram forte volatilidade e sucessivos aumentos nominais, impulsionados pela necessidade de expansão do sistema elétrico, revisões periódicas, variação dos encargos setoriais e inflação acumulada.

Para a indústria e o comércio em alta tensão, os reajustes foram de -5,30% em 2023, 2,23% em 2024, 17,04% em 2025 e 7,22% em 2026. Na baixa tensão, os índices foram de 7,08%, 5,02%, 19,01% e 7,26%, respectivamente. Para o consumo residencial, os reajustes foram de 6,49%, 5,04%, 18,74% e 7,36%.

Alternativas de Geração Elétrica

Para mitigar a pressão tarifária sobre o setor produtivo, a Gedin avalia quatro alternativas de geração elétrica: a primeira, o Mercado Livre de Energia (ACL), permite que empresas que consomem em média e alta tensão negociem preços, prazos e fornecedores, o que pode resultar em uma redução de custos entre 15% e 35% em comparação com o mercado cativo.

A geração fotovoltaica e a autoprodução, além da conversão elétrica a partir de biomassa, biogás e biometano, também são opções apresentadas, assim como a gestão de demanda e armazenamento (BESS), com o uso de bancos de baterias e gerenciamento de cargas.

“Goiás possui condições favoráveis para que a indústria diversifique seu suprimento. Desde altos índices de irradiação solar até significativa produção de biomassa no setor agroindustrial e sucroenergético, o Estado oferece alternativas que garantem previsibilidade de custos e reduzem a dependência da rede”, afirma Vergara.

Crédito de ICMS e Qualidade

O Decreto Estadual nº 10.706/2025 regulamenta o crédito outorgado de ICMS para investimentos em redes elétricas, incluindo linhas de distribuição, subestações e conexões de transmissão. O mecanismo permite que contribuintes do imposto utilizem o crédito fiscal para amortizar e compensar sua participação em obras de energia de interesse público ou privado.

Esse recurso desonera o fluxo de caixa de investidores e indústrias em relação ao custeio de infraestruturas elétricas e acelera a expansão do sistema elétrico estadual sem sobrecarregar a tarifa da distribuidora, contribuindo para a modicidade tarifária.

A nota técnica também avalia indicadores de Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) e Frequência Equivalente de Interrupção (FEC), que, nos últimos três anos, passaram por reenquadramento em diversas metas regulatórias. Para detalhes sobre o desempenho desses indicadores, consulte o relatório energético elaborado pelo Coinfra e publicado no início de setembro.

Recomendações para o Setor Industrial

A Fieg recomenda que o setor industrial goiano adote quatro medidas, entre elas: realizar um estudo de viabilidade para a migração ao mercado livre, aproveitar o benefício fiscal do ICMS e avaliar projetos de autoprodução fotovoltaica e bioenergia, além de desenvolver projetos de eficiência energética e auditoria.

As empresas interessadas em acessar o benefício do imposto podem contar com o apoio do Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC), que auxilia empresários no processo. Além disso, para o desenvolvimento de projetos de eficiência energética e auditorias, a Fieg recomenda que as indústrias se conectem com a Faculdade de Tecnologia Senai Ítalo Bologna, que oferece consultoria e suporte técnico ao setor produtivo.

Confira a nota na íntegra aqui.