Na próxima segunda-feira (21/09), o Araújo Jorge – Hospital de Câncer dará início à realização de testes moleculares para identificar o HPV oncogênico no Laboratório de Biologia Tumoral. Esta ação é parte do projeto OncoHPV: Tempo é Vida, aprovado pelo Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (PRONON).
O principal objetivo do projeto é aprimorar a identificação e o diagnóstico precoce da infecção por HPV dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para a prevenção e diagnóstico de cânceres associados ao vírus, como o câncer do colo do útero.
De acordo com o analista de Biologia Molecular da instituição, Dr. João Antonio Xavier Manso, as amostras coletadas passarão pela pesquisa do vírus HPV e pela identificação de até 21 subtipos, utilizando a técnica de PCR em Tempo Real.
“Nos casos que apresentarem alguma particularidade, como uma inconsistência entre o quadro clínico e o resultado obtido, a amostra poderá ser encaminhada para Sequenciamento de Nova Geração (NGS). Essa tecnologia permite uma análise mais detalhada e de maior resolução, contribuindo para esclarecer casos que não sejam totalmente resolvidos pelo teste convencional”, explica.
Ações do projeto
Entre as iniciativas estão a aquisição de equipamentos para a realização de testes de detecção do HPV por biologia molecular, adotando uma metodologia precisa e eficiente para o diagnóstico e monitoramento do vírus. Além disso, haverá o desenvolvimento de protocolos padronizados para todas as etapas do processo, desde a coleta das amostras até a análise dos resultados, bem como a promoção de atividades de prevenção e educação em saúde, informando à comunidade sobre a importância do diagnóstico precoce e da prevenção dos cânceres associados ao HPV.
Atendimento às pacientes
A nova tecnologia beneficiará 1.200 mulheres, com idades entre 15 e 64 anos, atendidas pelo SUS na Região Metropolitana de Goiânia, encaminhadas diretamente da Atenção Básica em casos de suspeita de infecção por HPV ou para complementação de exame citopatológico inconclusivo. Manso revela que o exame solicitado na Atenção Básica por profissionais de saúde responsáveis, conforme critérios estabelecidos no projeto e no fluxo da rede de saúde.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), anualmente, esperados 19.310 novos casos de câncer do colo do útero no Brasil, durante o triênio 2026–2028. A doença ocupa a sexta posição entre os tipos de câncer mais incidentes no país e é o terceiro cancer mais frequente entre as mulheres.
Investimento em tecnologia
O coordenador do projeto e de Diagnóstico e Imagem do Araújo Jorge, Dr. Cesar Vilanova, destaca que investir em tecnologia é fundamental para aumentar a capacidade de diagnóstico e melhorar os resultados.
“Para otimizar os resultados do tratamento e melhorar a qualidade de vida das pacientes, é necessário ampliar o investimento e a utilização de recursos tecnológicos que possibilitem oferecer um diagnóstico precoce, especializado, rápido e contínuo”, salienta.
Aquisição de equipamentos de alta tecnologia
Com o objetivo de proporcionar um salto tecnológico, o coordenador enfatiza que a unidade de saúde está ampliando sua capacidade com a aquisição de equipamentos, como extrator e purificador de material genético, termociclador de PCR em tempo real, freezer para congelamento rápido, freezer laboratorial e uma plataforma Illumina de sequenciamento de DNA de nova geração.
Esses avanços são significativos para a incorporação da medicina de precisão na rotina hospitalar, especialmente considerando a grande variabilidade genética do HPV, que possui mais de 200 tipos virais.
O analista de Biologia Molecular ressalta a importância dessa aquisição para a instituição, que permitirá a implantação de uma nova capacidade de diagnóstico molecular do HPV, amplificando a oferta de exames e fortalecendo a estrutura do hospital para o diagnóstico precoce. “Isso também proporcionará maior autonomia na realização desses testes e contribuirá para a melhoria da assistência aos pacientes do SUS”, assim afirma Manso.
Ele ainda acrescenta que a principal vantagem é ampliar a capacidade do hospital de atender à demanda da rede pública, alinhando-se ao fluxo estabelecido pelo Ministério da Saúde. “Assim, o hospital passa a contar com uma estrutura própria para apoiar o rastreamento, a detecção precoce e o acompanhamento das pacientes, fortalecendo a assistência prestada pelo SUS. Além de permitir uma identificação mais precisa da infecção, essa nova estrutura contribuirá para o diagnóstico precoce, possibilitando um acompanhamento mais adequado das pacientes e, quando necessário, uma intervenção mais rápida na prevenção e na redução do risco de evolução para o câncer do colo do útero”, conforme conclui.





