Cerca de 100 pessoas protestaram nesta sexta-feira (23) em Brasília contra a decisão do ministro André Mendonça de suspender o impulsionamento pago de um vídeo (de 2 minutos e 28 segundos) relacionado ao caso da menina Ana Clara em plataformas digitais. Essa determinação foi tomada após uma solicitação do candidato Flávio Bolsonaro.
O ato ocorreu em frente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), instituição na qual Mendonça ocupa o cargo de vice-presidente. O ministro também decidiu que a campanha deveria se abster de contratar novos impulsionamentos da gravação, a qual aponta que Flávio defendeu o assassino de uma criança, sob pena de multa de R$ 10 mil para cada nova alavancagem.
O caso de Ana Clara
Ana Clara, de 5 anos, morreu em 2021 em uma comunidade de Niterói, no Rio de Janeiro, após ser atingida por um tiro de fuzil disparado por um soldado da PM. O vídeo divulgado pela campanha de Lula expõe que durante seu mandato, o senador Flávio Bolsonaro defendeu o acusado.
Reação dos ativistas
A presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM), Maria das Neves Filha, criticou a decisão do ministro, classificando-a como “censura”. Ela afirmou: “Devemos denunciar essa censura flagrante à nossa democracia. Vamos tomar as medidas cabíveis para que a justiça prevaleça nesse caso.” Além disso, lamentou que a decisão tenha sido dada no último dia útil antes da votação: “É por isso que estamos na rua hoje.”
Justificativa do ministro
Na sua decisão, André Mendonça justificou que o material não apresenta conteúdo promocional autônomo da candidatura de Lula, limitando-se a críticas. “A mensagem publicitária dirige-se essencialmente à crítica e à desqualificação do candidato adversário,” destacou ele.
Outra observação do ministro foi que, apesar do vídeo conter o depoimento da mãe da menina Ana Clara, Cristiane Gomes da Silva, isso não garantiu autorização para o uso do material. “A circunstância de o material reproduzir manifestações proferidas em debate eleitoral e depoimento de familiar da vítima não afasta, por si só, a irregularidade do impulsionamento remunerado,” completou Mendonça.
Fonte: Agência Brasil



