CCJ do Senado aprova PEC de Vanderlan que amplia autonomia do Banco Central

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (10) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, de autoria do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), que amplia a autonomia financeira, administrativa e orçamentária do Banco Central.

Considerada uma das principais mudanças institucionais no sistema financeiro brasileiro nos últimos anos, a proposta também incorpora à Constituição mecanismos de proteção ao Pix, reforçando assim sua gratuidade e sua gestão exclusiva pelo Banco Central.

A aprovação representa um avanço significativo para uma proposta que tramita há mais de dois anos no Congresso. E que busca dar ao Banco Central independência para administrar seus recursos, investir em tecnologia, contratar pessoal e manter a operação de sistemas estratégicos sem depender assim das restrições orçamentárias impostas ao restante da administração pública.

Garantias Constitucionais para o Pix

Na prática, um dos pontos mais relevantes do texto é a constitucionalização das garantias relacionadas ao Pix. O relatório aprovado estabelece que o sistema de pagamentos instantâneos continuará sob controle exclusivo do Banco Central. E preserva sua gratuidade para pessoas físicas, criando uma barreira institucional contra eventuais tentativas futuras de cobrança sobre as transferências eletrônicas.

O autor da proposta, o senador Vanderlan, afirmou que a medida fortalece o Banco Central. E oferece segurança adicional aos brasileiros: “Esta foi uma grande vitória para o Brasil. A aprovação da PEC 65 na CCJ fortalece o Banco Central e cria uma proteção institucional importante para os brasileiros. Na prática, é uma garantia a mais de que o PIX continuará sendo gratuito, sem espaço para tentativas de taxação por parte de governos de ocasião”, conforme disse.

Vanderlan também ressaltou que a proposta busca afastar interferências políticas sobre instrumentos que hoje fazem parte do cotidiano da população. “Enquanto muitos discutem se o Pix é desse ou daquele governo, nós estamos garantindo que ele continue sendo do Brasil. Protegendo de interferência política e impedindo que qualquer governo possa taxar a população que já adotou o Pix como principal meio de pagamento”, explicou.

Autonomia e Estrutura do Banco Central

Atualmente, o Banco Central já possui autonomia operacional, aprovada pelo Congresso em 2021. A PEC 65 amplia esse modelo ao permitir que a instituição tenha autonomia também sobre seu orçamento e sua estrutura administrativa. Pelo texto aprovado, o BC passa a ser uma entidade pública de natureza especial, com autonomia técnica, operacional, administrativa, financeira e patrimonial.

Relator da matéria, o senador Plínio Valério (PSDB-AM), defendeu a proposta como uma medida necessária para fortalecer a capacidade institucional do Banco Central e garantir a continuidade de políticas públicas bem-sucedidas. “Votar, aprovar a PEC 65, que concede autonomia financeira e fiscal ao Banco Central, de autoria do senador Vanderlan Cardoso, é mais do que um gesto de inteligência. É, acima de tudo, um gesto de brasileiros e brasileiras comprometidos com o futuro da nação”, comentou.

Impactos e Próximos Passos

Especialistas em política monetária apontam que a autonomia financeira do Banco Central reduz riscos de paralisação de serviços essenciais por contingenciamentos orçamentários e aumenta a capacidade da instituição de responder a crises financeiras, fiscalizar o sistema bancário e investir em inovação tecnológica. Entre os ativos considerados estratégicos está justamente o Pix, que se consolidou como o principal meio de pagamento do país. E assim movimenta bilhões de transações todos os meses.

A aprovação na CCJ é vista como a etapa mais importante da tramitação da proposta no Senado. O texto agora segue para análise do plenário da Casa, onde precisará ser aprovado em dois turnos antes de ser encaminhado à Câmara dos Deputados.

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