Corrida eleitoral começa fria e oposição, por enquanto, patina no mote de suas campanhas

Compartilhe

Eduardo Sartorato

A campanha eleitoral de rua começou há dez dias e, até agora, em Goiás, o envolvimento do eleitor com o pleito ainda é bem pequeno. Os candidatos para o governo do Estado têm se movimentado, principalmente patrocinando eventos com um bom número de cabos eleitorais para mostrar força e gravar cenas para o programa eleitoral na televisão, além de criar conteúdos para redes sociais. Mesmo assim, a população parece ainda ignorar a disputa. Nesse aspecto, a falha maior é da oposição ao atual governo, que ainda patina em não conseguir apontar um rumo certo para suas campanhas. Ponto para o governador Daniel Vilela (MDB), que está à frente e com uma boa aprovação de governo, segundo os institutos de pesquisa.

De fato, é normal que uma campanha política comece fria e vá esquentando com o tempo. O problema é que, desde que o período eleitoral foi reduzido de três meses para cerca de 45 dias, o tempo de contato com o eleitor ficou muito curto para quem está atrás na corrida e tem necessidade mais urgente de crescimento. Nesse quesito, contar com uma boa plataforma de governo, ligada àquilo que o cidadão quer para o futuro do Estado, é essencial. O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL), no entanto, não conseguiram, ainda, mostrar um mote de campanha, e falham nesse quesito.

Mote certo é fundamental para vitória na corrida eleitoral

Vale lembrar que, em 1998, o próprio Marconi ganhou do então senador Iris Rezende (PMDB) com um mote que acertou em cheio as fraquezas do peemedebista – o tucano se apresentou como “o novo”, contra Iris, que seria “o velho”. Esse mote foi utilizado em todos os aspectos da campanha – práticas políticas, projetos, trato com o servidor, e outros. Assim, Marconi conseguiu passar a imagem de “moderno”, diante de um Iris visto como “envelhecido”.

Em 2004, quando Iris se candidatou a prefeito de Goiânia, teve a perspicácia muito grande de identificar logo de cara aquilo que o goianiense queria. Diante de uma cidade em que a periferia demandava pavimentação urbana, Iris foi à televisão e garantiu: “o asfalto vai passar na porta da sua casa”. Conseguiu se eleger mesmo diante de uma dura disputa contra o ex-prefeito Pedro Wilson (PT), que, além de buscar a reeleição com a máquina da prefeitura nas mãos, tinha o apoio robusto do governo federal, no segundo ano de Lula à frente do Planalto.

Oposição age sem rumo certo

Até agora, Marconi não tem um mote claro. Fala muito de seus governos passados, daquilo que foi feito durante seus quatro mandatos. Porém, ainda peca em não ter um foco quando precisa dizer o que pretende fazer daqui para frente. Já Wilder, aposta na sua relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso e condenado por tentativa de golpe de Estado, além da agenda conservadora. Foi eleito assim para o Senado, e aposta novamente nessa estratégia. Contudo, ainda não conseguiu explicar o que pretende fazer de diferente do que se faz hoje em dia. O candidato do PT, o ex-deputado Luis Cesar Bueno, também aposta mais na política do que nas propostas – tenta casar sua campanha com a do presidente Lula. Até agora, se limita a isso.

Quem ganha com esse cenário é o governador Daniel Vilela. O mote de sua campanha é automático e preparado já há anos – continuidade do governo dele e do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). Essa plataforma, além de tudo, é bem-vinda ao eleitorado, segundo os números das pesquisas. De acordo com a última Quaest, por exemplo, Daniel lidera com 16 pontos sobre o segundo colocado, tem 64% de aprovação de seu governo e é menos rejeitado que seus principais concorrentes. Se a oposição quiser reverter esse quadro, terá que achar um mote mais incisivo e apostar nele. E vale sempre lembrar, o tempo é curto.