Daniel, Marconi e Wilder possuem desafios distintos para chegar à vitória

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Eduardo Sartorato

A campanha eleitoral começa, de fato, no próximo domingo (16/8), quando os candidatos para os diversos cargos públicos já podem pedir o voto ao eleitor. O governador Daniel Vilela (MDB), o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL) são os principais candidatos para habitarem o Palácio das Esmeraldas nos próximos quatro anos. Cada um começa a corrida com virtudes próprias, mas, principalmente, com desafios distintos.

Não há dúvidas de que Daniel Vilela é o favorito para vencer, mas isso não quer dizer que ele já esteja eleito. Muito pelo contrário, há uma campanha inteira pela frente e eleição só termina com os votos dentro das urnas. O seu favoritismo vem, sobretudo, do fato de que é o atual governador e possui o comando da máquina do Estado. Desde 1998, quando a reeleição foi instituída, apenas um governador não venceu no comando do Estado – o ex-governador José Eliton (ex-PSDB), em 2018, no auge do desgaste do grupo de Marconi, o qual representava, e no ápice do bolsonarismo.

Daniel também tem a vantagem de ser jovem, com pouco desgaste, já que é a primeira vez que concorre a um cargo executivo. Porém, há desafios para ele. Representar a continuidade de um governo bem avaliado como o do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) tem seus ônus e bônus. Muitas vezes, o eleitorado espera mais do sucessor e a comparação com o antecessor é inevitável. Caiado foi um governador com personalidade bem forte, o que pressiona Daniel a seguir a mesma linha.

Além disso, é natural que Daniel não seja conhecido, ainda, nos quatro cantos do Estado. Vai ter pouco mais de um mês e meio para se apresentar, e terá que convencer o eleitorado de que ele será, de fato, um governador tão exitoso quanto o seu antecessor.

Rejeição alta é desafio de Marconi

Marconi Perillo tem a agenda positiva de seus governos como um ponto positivo. Ele governou o Estado por quatro mandatos e, naturalmente, tem muito o que mostrar. O tucano, porém, se apresenta com uma rejeição muito grande, entre 40% e 50%. Em sua última rodada, a Quaest mostrou 46%. Isso causa uma diminuição drástica no potencial de voto do candidato e liga um sinal amarelo, quase virando para vermelho.

O ex-governador precisará ser ousado na campanha para reverter essa rejeição e se mostrar um candidato viável. Isso é uma tarefa muito difícil, já que a história nos mostra que rejeição dificilmente se dissipa em curto prazo. Mesmo assim, se conseguir apresentar um menu de propostas que acerte em cheio a vontade do eleitorado, pode conseguir avanços nas próximas pesquisas.

Corrida para o governo é bem diferente da de Senado

O senador Wilder Morais é uma incógnita em relação à disputa de cargos executivos, já que nunca disputou ou assumiu um cargo de prefeito ou governador. Tem a seu favor a experiência legislativa no Senado de cerca de dez anos. Além disso, a sua biografia como empresário de sucesso. Ele, contudo, vai ter o desafio de apresentar ao eleitor um plano de governo consistente, e comunicá-lo de forma correta para que consiga ser visto como alguém que possa alavancar o Estado.

Vale lembrar que, enquanto o eleitorado brasileiro deixa para decidir os votos parlamentares – senador, deputados e vereador – nas últimas semanas, ele geralmente analisa e discute bastante os nomes para o Executivo. Cientistas políticos acreditam que isso ocorre porque a população não sabe direito como é a função de um parlamentar. Quando sabe, acredita que o impacto em sua vida é pequeno. Já prefeito, governador e presidente são cargos em que ele tem uma noção bem clara do que é e como a atuação destes gestores pode mudar a sua vida.

Wilder foi eleito para o Senado em 2022, ultrapassando Marconi na reta final da campanha eleitoral. O fenômeno ocorreu devido ao eleitor bolsonarista, que o escolheu de forma coletiva como seu representante. Essa onda, contudo, dificilmente ocorrerá para o Executivo, salvo se ele conseguir fazer uma campanha acertando em cheio a vontade do eleitor. Fica o desafio para ele, a partir de domingo.