Investigação revela rota do metanol de postos do ABC Paulista até bares da capital
A Polícia Civil de São Paulo detalhou, nesta sexta-feira (17), o caminho percorrido pelo etanol adulterado com metanol que foi utilizado na fabricação de bebidas falsificadas e causou seis mortes e 38 casos de intoxicação no estado.
O produto saía de dois postos de combustível no ABC Paulista, passava por uma fábrica clandestina em São Bernardo do Campo e chegava a bares de diferentes regiões da capital paulista, incluindo a Mooca e a Saúde.
Como começou a crise do metanol
De acordo com o Ministério da Saúde, os primeiros casos de intoxicação foram registrados no fim de agosto, quando hospitais da capital começaram a receber pacientes com sintomas graves.
Em setembro, a Secretaria de Estado da Saúde e o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) detectaram que as vítimas haviam consumido bebidas alcoólicas compradas em bares e adegas, e não produtos industriais, o que levou à descoberta das bebidas adulteradas com metanol, uma substância altamente tóxica e proibida para consumo humano.
Da gasolina à vodca: o caminho do metanol até os bares
As investigações indicam que o etanol contaminado com metanol era comprado em postos de Santo André e São Bernardo do Campo, e transportado até uma fábrica clandestina, onde era utilizado na produção de bebidas destiladas falsificadas, como vodca e gin.
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), amostras coletadas nesses locais apresentavam concentração de metanol acima do limite permitido para uso veicular — o que representa risco extremo à saúde.
Fábrica clandestina e o comando familiar
A principal fábrica de adulteração foi fechada no último dia 10, em São Bernardo do Campo. O local não possuía autorização sanitária e operava de forma irregular.
Segundo a Polícia Civil, o esquema era liderado por Vanessa Maria da Silva, presa na semana passada, e contava com a participação de seu ex-marido, pai e cunhado. Todos atuavam na produção, envase e distribuição das bebidas falsificadas.
Depósitos de garrafas e rótulos falsos também foram descobertos na capital, alguns localizados em frente aos postos suspeitos, o que facilitava a logística do grupo criminoso.
As bebidas adulteradas e os locais de venda
As bebidas “batizadas” foram comercializadas em bares e adegas de várias regiões de São Paulo.
A Secretaria da Fazenda do Estado já suspendeu as Inscrições Estaduais de estabelecimentos flagrados vendendo produtos adulterados.
Origem do metanol e possíveis conexões criminosas
A Polícia Federal e a Receita Federal investigam a origem do metanol utilizado. Há indícios de desvios de importadoras e usinas de etanol, que repassavam o produto a postos de combustível da Grande São Paulo.
Embora o caso tenha levantado suspeitas de envolvimento de facções, o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, afirmou que não há ligação direta com o PCC até o momento.
As vítimas da tragédia
Até agora, seis pessoas morreram após consumir bebidas contaminadas com metanol. As vítimas foram identificadas como:
- Ricardo Lopes Mira, 54 anos (São Paulo)
- Marcos Antônio Jorge Júnior, 46 anos (São Paulo)
- Marcelo Lombardi, 45 anos (São Paulo)
- Bruna Araújo, 30 anos (São Bernardo do Campo)
- Daniel Antonio Francisco Ferreira, 23 anos (Osasco)
- Leonardo Anderson, 37 anos (Jundiaí)
Além das mortes, 38 pessoas foram intoxicadas, algumas com cegueira e sequelas neurológicas permanentes.
Autoridades reforçam alertas e fiscalização
O governo de São Paulo intensificou as operações para coibir a venda de bebidas adulteradas e reforçou o alerta para que consumidores evitem produtos de origem duvidosa ou sem registro sanitário.
As investigações seguem em andamento para identificar todos os envolvidos no esquema, desde os fornecedores até os comerciantes finais.
Fonte: G1



