Exportações e PIB: aprendizados da Alemanha para a indústria goiana

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Com as exportações responsáveis por aproximadamente 45% do Produto Interno Bruto (PIB), Baden-Württemberg, no sudoeste da Alemanha, destaca-se como um exemplo em internacionalização e competitividade industrial.

Na quinta-feira (5/11), durante o quarto dia da missão internacional do Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a comitiva brasileira teve a oportunidade de conhecer iniciativas do governo estadual voltadas para apoiar a inserção de pequenas e médias empresas no mercado externo. A agenda também incluiu uma visita ao Museu Mercedes-Benz, em Stuttgart, oferecendo uma imersão na trajetória da indústria automotiva e nas transformações da mobilidade.

Baden-Württemberg, com cerca de 11 milhões de habitantes, mantém uma sólida estrutura de colaboração entre governo, câmaras de comércio. Bem como associações empresariais, agências de desenvolvimento e institutos de pesquisa.

Este modelo foi apresentado durante um encontro no Ministério da Economia, Trabalho e Turismo do estado, que recebeu a delegação brasileira. André Rocha, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e vice-presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Goiás, participou da agenda, que visou identificar oportunidades de cooperação entre os dois países.

Apoio à internacionalização

Recebida pelo assessor sênior para América do Norte e América Latina, Reiner Valier, e pela equipe do Departamento de Comércio Exterior, a comitiva conheceu a estrutura de apoio do governo alemão às empresas interessadas em expandir suas operações internacionais.

O sistema conta com 12 câmaras regionais de indústria e comércio, associações setoriais, agências especializadas e instituições de pesquisa. Assim, proporcionando suporte em questões como certificações, procedimentos alfandegários, autorizações de exportação. Bem como garantias de risco, participação em missões empresariais e identificação de oportunidades comerciais.

O foco da política estadual é especialmente sobre as pequenas e médias empresas. Entre os instrumentos apresentados destacam-se missões internacionais, participação em feiras, encontros empresariais e parcerias com universidades e institutos Fraunhofer, que atuam na transferência de conhecimento científico para o setor produtivo.

Dentro desse intercâmbio, discutiram-se possibilidades de cooperação com empresas brasileiras em áreas como inteligência artificial, energias alternativas, hidrogênio, biometano, biotecnologia e tecnologias ambientais. Também surgiram oportunidades de participação conjunta em feiras internacionais, como Hannover Messe, IFAT e MEDICA.

De acordo com André Rocha, conhecer esse modelo é fundamental para ampliar as referências sobre como a articulação entre poder público e setor produtivo pode favorecer a inserção internacional das empresas.

“A experiência mostra que a internacionalização exige mais do que o interesse individual das empresas. É necessário construir conexões, oferecer suporte e aproximar o setor produtivo dos mercados e centros de conhecimento. Conhecer esse modelo nos ajuda a identificar caminhos para ampliar as oportunidades das empresas goianas e fortalecer sua presença no comércio internacional”, conforme afirma.

História e transformação da indústria automotiva

A programação começou pela manhã, com uma visita guiada ao Museu Mercedes-Benz, em Stuttgart. O percurso apresentou a trajetória dos pioneiros Carl Benz e Gottlieb Daimler, responsáveis pelo desenvolvimento dos primeiros automóveis. E os desafios enfrentados para transformar uma inovação tecnológica em um produto reconhecido pelo mercado.

A exposição percorreu diferentes períodos da indústria automotiva, abordando a evolução dos motores, a produção em escala, as estratégias empresariais. Bem como a influência das políticas públicas no desenvolvimento do setor. Também foram discutidos os impactos das guerras mundiais e das crises econômicas na reorganização da indústria e na consolidação da Mercedes-Benz.

Os espaços dedicados à mobilidade atual destacaram a eletrificação dos veículos, as exigências ambientais e as mudanças nas cadeias de fornecimento. Um dos exemplos apresentados foi um caminhão elétrico de longa distância, com uma autonomia informada de aproximadamente 600 quilômetros em condições específicas de operação.

De acordo com Rocha, a visita e o encontro no ministério integraram a etapa de comparação da missão, que se dedicou a compreender como estratégia empresarial, inovação e políticas públicas podem atuar em conjunto para impulsionar o desenvolvimento econômico e a competitividade industrial.