Eduardo Sartorato
O ex-prefeito de São Paulo, mentor e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, será anunciado como vice na chapa do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), para a presidência da República. Um evento em Brasília nesta quarta-feira (1º/7) revelará o nome do político para compor a chapa pura do partido rumo ao Palácio do Planalto.
Kassab dá peso político nacional à chapa de Caiado, e o anúncio vem em um momento em que o goiano tenta aparecer melhor nas pesquisas de intenções de voto. Os números do instituto Nexus, contratado pelo BTG Pactual e divulgado na última segunda-feira (29/6), mostram que Caiado ainda está na casa dos 5%, atrás do presidente Lula (PT), com 42%, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que tem 34%.
Kassab é hábil articulador
O ex-prefeito de São Paulo é um dos políticos mais hábeis nos bastidores do poder brasileiro. Administrou a capital paulista pelo PFL/DEM, depois do então prefeito José Serra (PSDB) renunciar, após apenas um ano e três meses de mandato, para ser candidato a presidente, em 2006.
Reeleito em 2008, ganhou força política para articular um novo partido com a ala do DEM que queria se aproximar da então presidente Dilma Rousseff (PT). Assim, comandou a criação do PSD, um partido que se autodenomina de Centro, mas que, em um primeiro momento, foi base do governo Rousseff. Com a reeleição de Dilma, Kassab assumiu o Ministério das Cidades, cargo em que ficou até abril de 2016.
A saída de Kassab do Planalto, porém, durou pouco. Com uma desenvoltura poucas antes vista na política nacional, o presidente do PSD desembarcou do governo Dilma no ápice de seu enfraquecimento e do processo de impeachment contra a petista no Congresso e, em menos de um mês, voltou à esplanada como ministro de Ciência e Tecnologia do governo de Michel Temer.
Nome próprio é estratégia do partido
Gilberto Kassab foi o grande articulador da opção do PSD em lançar um nome próprio para a disputa presidencial em 2026. Vê a estratégia como um trampolim para fortalecer o partido e ajudá-lo a eleger o maior número possível de deputados e senadores. Como não conseguiu uma aliança com outro partido, manteve os planos e decidiu encarar a chapa pura.
Para Caiado, ter Kassab ao lado o ajuda a ter seu nome mais conhecido fora das fronteiras goianas. Não parece ser fácil quebrar a polarização entre o petismo e o bolsonarismo, mas certamente a chapa Caiado/Kassab apresentará à população uma alternativa política aos dois expoentes predominantes. Caberá ao eleitor a palavra final.


