Nas eleições de 2026, o aumento da participação de partidos mais conservadores no Congresso Nacional e nos governos estaduais foi visto como uma resposta do eleitorado às pautas do cotidiano. Essa análise é feita pelo economista, doutor em ciência política e professor da Universidade de Brasília (UnB), Jeferson Ramos dos Santos.
Brasília (DF), 06/10/2026 – Em entrevista, Jeferson Ramos dos Santos destacou que as campanhas regionais focaram em temas como segurança pública, custo de vida, valores e família, consolidando-se como as pautas dominantes nas regiões onde foram eleitos senadores, deputados estaduais e federais e governadores.
“Os temas foram bastante relevantes. É um recado muito claro do eleitorado, mas as temáticas não foram abordadas de forma adequada pelo governo federal”, afirmou o especialista ao jornalismo da Rádio Nacional.
Críticas ao STF e sua influência nas eleições
O professor Jeferson Ramos dos Santos comenta também sobre a recente crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que, segundo ele, teve um peso menor nas decisões dos eleitores. “Embora tenha sido uma temática relevante, que saiu na mídia e deixou a imagem do Supremo um pouco comprometida, o STF não vai às urnas. Por isso, o impacto eleitoral direto foi menor”, analisou.
Entretanto, Jeferson acredita que o STF deve ser um dos focos das discussões legislativas no Senado Federal, especialmente com a nova configuração de maioria conservadora. “Nos próximos quatro anos, veremos o desenho institucional do Supremo sofrer algumas alterações, a extensão do poder individual de cada ministro e, eventualmente, até a limitação do mandato [dos ministros da Suprema Corte].”
Fim da escala 6×1 e mudanças na agenda legislativa
No Brasil, a pauta trabalhista mais discutida neste ano é o fim da escala 6×1, que tem votação prevista para esta semana, conforme confirmado pelo presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Porém, com a significativa mudança na composição da Câmara e do Senado, o professor Jeferson Ramos dos Santos acredita que o ritmo de votação e o perfil das propostas tendem a mudar.
“O quadro político mudou sensivelmente. Geralmente, quando há incertezas, vemos nas casas legislativas uma postergação até que o quadro fique mais claro e os atores [blocos e lideranças parlamentares] se posicionem. Então, não acho incomum se o fim da 6×1 tomasse um pouquinho mais de tempo para ir a plenário”, disse.
Disputa presidencial e suas implicações
De acordo com resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) estão no segundo turno da disputa pela vaga presidencial com a menor diferença já registrada em um primeiro turno eleitoral, com cerca de 2,22 milhões de votos a favor de Flávio, representando 1,87 ponto percentual.
O professor perceba que o cenário continua aberto e competitivo para 25 de outubro, data em que os brasileiros voltarão às urnas para decidir quem comandará o Brasil entre 2027 e 2030. “Temos 2% de diferença entre os candidatos e uma abstenção recorde. São algumas dezenas de milhões de eleitores que não se posicionaram. Então, a campanha está aberta e, a partir desta semana, uma nova eleição se coloca na praça.”
Impacto da eleição na nova legislatura
O resultado final da disputa presidencial pode influenciar a agenda da nova legislatura da Câmara e do Senado Federal, que se inicia em 1º de fevereiro de 2027. Jeferson Ramos dos Santos acredita que uma agenda mais conservadora pode se afastar de temas trabalhistas e focar em valores e segurança pública. “Mas o resultado da eleição presidencial vai ter impacto para reequilibrar essas pautas legislativas ou para empurrá-las ainda mais à direita”, aponta o professor.
O horário eleitoral para o segundo turno será retomado nesta sexta-feira (9). Os candidatos à Presidência da República e aos governos de seis estados, além do Distrito Federal, poderão fazer propaganda até 23 de outubro, dois dias antes do pleito final.

