“Se as eleições fossem domingo, cravaria Lula presidente. Mas não são”, diz diretor da Paraná Pesquisas, em palestra na Fieg

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Eduardo Sartorato

Apesar da grande quantidade de cenários e previsões elaborados por especialistas, a pouco menos de dois meses do encontro do eleitor com as urnas, o diretor-presidente da Paraná Pesquisa, Murilo Hidalgo, é enfático ao defender que o jogo eleitoral ainda não começou. Assim, segundo ele, ainda não há nada decidido nas mais diversas eleições pelo Brasil. Hidalgo foi palestrante de mais uma edição do painel “Brasil em Reflexão”, na noite desta quinta-feira (6/8). O evento é realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), na Casa da Indústria, em Goiânia.

Nas eleições para a presidência da República, Murilo diz que a tendência é uma disputa acirrada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). “Tem tudo para ser igual à eleição passada (dura até o fim). Não haverá goleada”, aposta. Para ele, os outros concorrentes, como o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o empresário Renan Santos (Missão), terão uma missão ainda muito mais difícil.

Além disso, o diretor-presidente lembra que as eleições quase sempre têm fatos novos durante o processo, que mudam o rumo das coisas. “Nas últimas três eleições para a presidência da República, tivemos a ação do imponderável”, recorda. Ele se refere aos episódios como a queda do avião que vitimou o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (2014); a facada no ex-presidente Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora (2018); e as ameaças armadas dos ex-deputados Roberto Jefferson e Carla Zambelli (2022).

“A eleição nacional, dificilmente, não terá segundo turno”

Para Murilo, sem fatos novos, Lula dificilmente vencerá a disputa ainda no primeiro turno. Já na segunda etapa, terá de enfrentar, provavelmente, Flávio Bolsonaro, que receberá o voto da maior parte da direita. Assim, fará uma disputa bem apertada contra o petista. “Hoje, falo, sem medo de errar, que essa diferença entre dois no segundo turno está entre dois e cinco pontos, pró-Lula. Não dá para o presidente dormir tranquilo com essa diferença”, acredita.

O diretor da Paraná Pesquisas ainda crê, pelo panorama de momento e pela análise das pesquisas, que os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro vão decidir as eleições deste ano. Hoje, Lula tem cenário favorável no Rio. Seu aliado, o ex-prefeito da capital Eduardo Paes, lidera as pesquisas para o governo com certa tranquilidade.

Já em São Paulo, a vantagem é do governador Tarcísio de Freitas, que está com Flávio. “Mas também temos que saber qual vai ser o empenho de Tarcísio pelo Flávio; se a vitória de Flávio é, de fato, do interesse de Tarcísio”, questiona.

“Lula terá de convencer eleitor do Nordeste”

Apesar de o Nordeste ser uma fortaleza para Lula e o PT, Murilo chama a atenção para o fato de o petista ter perdido campo na região. Enquanto isso, Flávio cresceu. “Lula prometeu isenção de imposto de renda, além de picanha e cerveja para todos. Só cumpriu o primeiro. Vai ter que convencer a população mais pobre do Nordeste de que ela vai voltar a ter poder de compra, como foi no Lula 1 e Lula 2. Assim, poderá recuperar esses pontos perdidos”, disse.

Outra questão negativa para Lula, apontada por Murilo, é o fato de que os cinco principais estados da região não devem ter segundo turno para governador, o que pode desmobilizar o eleitor a ir votar na segunda etapa. Isso seria muito prejudicial a Lula.

“Caiado vai ter que crescer sobre o eleitorado de Flávio”

Murilo acredita que, para Caiado vencer a polarização, terá que crescer em cima do eleitor de Flávio Bolsonaro, o que não será nada fácil. “Ele vai precisar fazer uma campanha muito boa, e ainda torcer para que Flávio tropece. Ainda assim, será difícil para ele, pois a polarização interessa a Lula e Flávio, e os dois vão alimentá-la”, frisa.

Ele defende que o exemplo da segurança pública em Goiás é um ponto para Caiado explorar na campanha, mas faz a ressalva de que o candidato terá que achar uma maneira sábia de pautar o assunto. Recorda que a maior parte do eleitorado está na periferia das grandes cidades brasileiras. A defesa enfática, por exemplo, de uma política única de extermínio dos bandidos pode atingir negativamente esse eleitorado.

Apesar das grandes dificuldades, caso Caiado consiga superar Flávio e ir para o segundo turno, Murilo acredita que ele terá mais chance de vencer Lula do que o próprio senador do PL. “Lula sabe que vai ter segundo turno. E vai preferir enfrentar o Flávio”, ressalta o diretor-presidente da Paraná Pesquisas.

Painel “Brasil em Reflexão” transforma Fieg em um centro de debates

O painel “Brasil em Reflexão” é realizado pela Fieg como uma forma de discutir os rumos do Brasil em diversas áreas, como política e economia. Este é o terceiro evento realizado pela instituição, que trouxe o CEO da Quaest Pesquisa, Felipe Nunes, no final de junho passado.

O presidente da Fieg, André Rocha, diz que o painel é uma forma de contribuir com a sociedade. Ele quer que a Federação seja um “centro de debates”. “No final do mês (agosto) faremos mais um debate. A ideia é discutir temas. Neste momento, obviamente, chama muito a atenção a discussão do cenário político, o que é importante para a sociedade e para a democracia. Eu acho que é um momento para esclarecer a sociedade. Mas, não será só isso. Também traremos especialistas para discutir economia, política internacional, além de outras questões”, diz.