Suspensão de importações de carne pela UE pode gerar prejuízo de US$ 16,8 milhões por mês em Goiás

Medida afeta frigoríficos goianos habilitados a exportar ao bloco europeu e está relacionada a novas exigências sobre o uso de antimicrobianos

Suspensão das importações

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A suspensão das importações de produtos de origem animal brasileiros pela União Europeia (UE), que entrou em vigor nessa quinta-feira (3/9), pode gerar um prejuízo de US$ 16,8 milhões por mês para Goiás, de acordo com estimativa da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). A medida afeta frigoríficos goianos habilitados a exportar para o mercado europeu.

A restrição atinge produtos como carnes de aves, bovina e suína, peixes de aquicultura, mel, equinos, ovos e envoltórios (tripas). A UE exige que o Brasil comprove, por meio de documentação, o cumprimento das regras sobre o uso de determinados antimicrobianos ao longo de toda a cadeia produtiva. O Regulamento Delegado 2023/905 estabelece, entre outras medidas, a proibição de determinados antimicrobianos utilizados para promoção do crescimento e aumento de rendimento dos animais.

Segundo análise da Fieg, a restrição não está relacionada à contaminação ou a problemas sanitários identificados na carne brasileira, mas à capacidade de comprovar documentalmente o cumprimento das exigências europeias. Além disso, a entidade alerta para o risco de outros países adotarem medidas semelhantes.

Impacto em Goiás

Os produtos de origem animal exportados por Goiás para a União Europeia movimentaram US$ 190 milhões em 2025. Entre janeiro e julho deste ano, foram US$ 96 milhões, sendo que as carnes bovinas responderam por cerca de 90% desse valor.

A Fieg estima que Goiás deixe de exportar US$ 3,83 milhões entre setembro e dezembro de 2026 e outros US$ 11,5 milhões em 2027. Os valores correspondem ao potencial de exportação perdido com a suspensão. Conforme a entidade, resultam em um impacto estimado de US$ 16,8 milhões por mês.

Dois frigoríficos instalados em Goiás estão entre os mais afetados: a JBS, em Mozarlândia, e a Minerva Foods, em Palmeiras de Goiás. As unidades são voltadas à produção de cortes de maior valor agregado para o mercado europeu.

Para reduzir os impactos, a Fieg recomenda que os exportadores busquem mercados alternativos, como China, Estados Unidos, Japão, Indonésia e Coreia do Sul. Assim, a entidade orienta as empresas a adequar os processos às exigências europeias e planejar a produção e as exportações.

Exigências europeias

A regra que motivou a suspensão foi estabelecida pela União Europeia em 2023. Desde então, passou a exigir comprovação de que animais e produtos de origem animal exportados ao bloco não foram submetidos a determinados antimicrobianos. As novas condições de entrada passaram a valer para remessas que chegam à UE a partir de 3 de setembro de 2026.

Um dos principais desafios para a cadeia bovina é o tempo necessário para comprovar o cumprimento das exigências. Como o ciclo de produção pode levar cerca de 30 meses, a adequação dos frigoríficos não resolve imediatamente a situação de animais que já estavam em produção antes das novas regras.

O governo brasileiro adotou medidas para atender às exigências. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria SDA nº 1.617/2026, que proíbe o uso de antimicrobianos como aditivos melhoradores de desempenho animal e estabelece novos procedimentos de controle para a certificação dos produtos destinados ao mercado internacional.

Em Goiás, a Fieg aponta que mecanismos como a rastreabilidade individual do Sisbov e o reconhecimento do Estado como área livre de febre aftosa sem vacinação podem contribuir para a adequação da cadeia produtiva às exigências europeias.