Trump anuncia autorregulação da IA por bigtechs em meio a temor social

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um acordo com os proprietários de bigtechs de Inteligência Artificial (IA) para uma autorregulação voluntária. A iniciativa visa estabelecer mecanismos de segurança e controle em resposta ao crescente temor da sociedade estadunidense sobre os riscos da expansão da IA.

Na reunião realizada na Casa Branca, Trump e dirigentes de gigantes da IA, como Google, OpenAI, Meta, X (antigo Twitter), Nvidia e Anthropic, assinaram um documento que estabelece compromissos voluntários a serem adotados pelas empresas. Além disso, os líderes reforçaram seu compromisso com a expansão dos data centers – centros de processamento de dados que enfrentam resistência das comunidades locais devido ao seu elevado consumo de água e energia.

O documento assinado afirma: “Acreditamos que cada empresa é responsável por desenvolver sua própria tecnologia com segurança e de uma forma que construa confiança com os clientes e o público”. Entre as medidas estão a implementação de “controles internos” para monitorar os sistemas de IA e garantir que seus modelos não acessem sistemas não intencionalmente.

Contexto e reações

Recentemente, um sistema da OpenAI invadiu uma base de dados do serviço público de saúde da Austrália. A empresa alegou que a ação foi “involuntária” e se comprometeu a adotar medidas para evitar novas invasões. O documento assinado ainda prevê a formação de equipes internas em cada empresa para monitoramento e auditoria independente da segurança no uso da IA.

Trump afirmou que “juntas, essas etapas darão a cada empresa, seus clientes e ao público a confiança de que a tecnologia está operando conforme o esperado”. Apesar do anúncio, o governo Trump tem rejeitado imposições legais que regulem o desenvolvimento da IA, mesmo diante de apelos da própria indústria.

Preocupações da sociedade

Um relatório intitulado Internacional IA Safety Report 2026, elaborado por especialistas, aponta que os riscos associados à IA incluem a banalização de ataques cibernéticos, impactos no mercado de trabalho e efeitos sobre a economia. A sociedade também teme o uso da tecnologia para manipulação da desinformação nas redes sociais.

A partir de uma pesquisa de opinião realizada pela Ipsos e Reuters, 73% da população acredita que as empresas de IA não estão fazendo o suficiente para impedir os danos da tecnologia, enquanto 39% acham que a IA está tendo um impacto negativo na sociedade.

Coletiva no Jardim da Casa Branca

Após a assinatura do documento, Trump e os dirigentes das empresas realizaram uma coletiva à imprensa no jardim da Casa Branca. Durante o evento, Trump defendeu a expansão dos data centers, afirmando que as empresas formarão parcerias com as comunidades, garantindo benefícios financeiros e morais para todos os envolvidos.

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, destacou que o objetivo do acordo é “transmitir confiança” ao povo estadunidense, assegurando que a tecnologia funcionará “da maneira que pretendemos”. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, expressou que a tecnologia da IA apresenta riscos reais e que o caminho para lidar com eles ainda está sendo discutido.

Ordem Executiva e terminologia

No mesmo dia, Trump assinou uma Ordem Executiva para que todos os documentos oficiais do governo passem a se referir à inteligência artificial como superinteligência. Segundo o documento, “o termo superinteligência captura de forma mais apropriada a promessa, o potencial e as capacidades em rápido avanço dessas tecnologias”.

Críticos da IA, como o cientista brasileiro Miguel Nicolelis, argumentam que o termo “inteligência” é, na verdade, uma metáfora que sugere que a tecnologia possui capacidades humanas, o que não é verdade. Essa terminologia pode ser vista como uma estratégia de marketing para valorizar os serviços que as gigantes da tecnologia oferecem.