Mercado financeiro eleva previsão da inflação para 5,11% em 2023

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A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, subiu de 5,09% para 5,11% em 2023. Essa estimativa foi divulgada no Boletim Focus desta segunda-feira (8), uma pesquisa semanal realizada pelo Banco Central (BC) que reúne as expectativas de instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.

Com a guerra no Oriente Médio pressionando o preço dos combustíveis e, consequentemente, a inflação, este será o 13º aumento consecutivo da previsão para o IPCA, que já ultrapassa o intervalo da meta estabelecida pelo BC.

Meta de inflação e dados recentes

A meta de inflação é estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 pontos percentuais. Isso significa que o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

Em abril, a taxa de inflação oficial foi impactada pelo aumento no preço dos alimentos, fechando em 0,67%. O IPCA acumulado nos últimos 12 meses ficou em 4,39%, ainda dentro do teto da meta de inflação.

A divulgação da inflação referente a maio ocorrerá na próxima sexta-feira (12) pelo IBGE.

Projeções para anos futuros

Para 2027, a previsão da inflação passou de 4,02% para 4,03%. As estimativas para 2028 e 2029 são de 3,65% e 3,5%, respectivamente.

Taxa Selic e sua influência

Para garantir que a inflação permaneça dentro da meta, o Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 14,5% ao ano, conforme decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Na última reunião, realizada em abril, o comitê decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, mesmo diante das tensões causadas pela guerra no Oriente Médio.

A Selic esteve em 15% ao ano de junho de 2025 até março deste ano, representando o maior patamar em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na última reunião, em um cenário de queda da inflação. Contudo, o conflito no Oriente Médio, que gerou aumento nos preços de combustíveis e alimentos, complica a situação do Copom.

No documento da última ata, o BC informou que está acompanhando de perto o conflito e seus potenciais efeitos a longo prazo sobre a inflação.

O próximo encontro do Copom, para decidir sobre a Selic, está agendado para os dias 16 e 17 de junho.

Expectativas para a taxa Selic e PIB

Nesta edição do Focus, a expectativa dos analistas para a taxa básica até o final de 2026 aumentou de 13,25% ao ano para 13,5% ao ano. Para os anos de 2027 e 2028, projeta-se que a Selic seja reduzida para 11,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente, permanecendo em 10% ao ano em 2029.

Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que reflete nos preços, visto que juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Por outro lado, a redução da Selic tende a tornar o crédito mais acessível, estimulando a produção e o consumo, que podem impactar a inflação e a atividade econômica.

Além disso, os bancos levam em consideração outros fatores ao definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Expectativas para o crescimento econômico

No boletim do Banco Central, a projeção de crescimento da economia brasileira para este ano passou de 1,9% para 1,91%. Para 2027, a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permanece em 1,7%, com projeções de expansão de 2% para 2028 e 2029.

No primeiro trimestre de 2026, a economia cresceu 1,1% em relação ao último trimestre do ano anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, houve uma expansão de 2%, segundo dados do IBGE.

Em 2025, a economia brasileira registrou um crescimento de 2,3%, com expansão em todos os setores, destacando-se a agropecuária. Este resultado marca o quinto ano consecutivo de crescimento.

No Focus desta semana, a previsão para a cotação do dólar é de R$ 5,15 ao final deste ano. Para o final de 2027, estima-se que a moeda norte-americana atinja R$ 5,20.

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