Mofo em casa pode ser o inimigo invisível que afeta a sua saúde

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Tempo frio sob uma chuva calma, porém contínua. Você está debaixo da coberta, deitado no sofá vendo televisão, mas algo chama sua atenção na parede: o mofo está tomando conta. Com o calor indo embora, o mofo volta a assombrar os lares brasileiros.

Mais do que um problema estético que compromete paredes e armários, a presença de fungos em ambientes fechados é um gatilho crítico para crises respiratórias e alergias graves.

A pneumologista Karla Curado, que atende no centro clínico do Órion Complex, explica que o mofo é uma colônia de fungos que se desenvolve em ambientes úmidos, quentes e sem ventilação. “Eles fazem mal à saúde porque liberam partículas microscópicas no ar, chamadas esporos. Quando essas partículas são inaladas, podem irritar as vias respiratórias e desencadear reações inflamatórias e alérgicas, principalmente em pessoas mais sensíveis, como crianças, idosos, asmáticos e pessoas com rinite ou imunidade baixa”, explica a especialista.

Consequências da exposição ao mofo

Apesar de os fungos serem decompositores de matéria orgânica, fundamentais para a reciclagem de nutrientes no ecossistema, quando proliferados em excesso podem ser prejudiciais à saúde. “Os esporos entram pelo nariz, e no primeiro momento, geram tosse e espirro. Quanto mais partículas de mofo, mais intensa será a obstrução nasal. Se os esporos conseguirem passar do nariz, podem alcançar a laringe e, em seguida, o pulmão. Por fim, isso pode gerar complicações mais graves, como a pneumonite de hipersensibilidade, uma inflamação nos pulmões causada pela inalação de poeira e mofo”, conta a médica.

Além dos problemas de saúde mencionados, a exposição prolongada a ambientes com bolor pode causar rinite alérgica, crises de asma, sinusite. Bem como bronquite, tosse crônica, irritação nos olhos e na garganta. Também é possível desenvolver condições como dermatites e alergias de pele, fibrose pulmonar e pneumonia de hipersensibilidade.

Conforme a doutora Karla Curado, muitas pessoas só percebem que os sintomas pioram quando permanecem em determinados ambientes da casa, especialmente quartos, banheiros ou locais fechados com infiltração e pouca ventilação. Nesse sentido, é preocupante que o primeiro instinto seja tratar apenas os problemas respiratórios, quando, na verdade, a causa está no ambiente.

A solução vai além das paredes

Não basta limpar a superfície com produtos químicos se a causa do mofo está na estrutura do imóvel. A umidade excessiva geralmente resulta de infiltrações, falta de impermeabilização adequada ou baixa ventilação. Glênio Forte, proprietário da Rede da Construção Fortecon, afirma que “uma das regras de ouro na construção civil é que a impermeabilização preventiva custa uma fração minúscula da obra, enquanto consertar o estrago depois custa caro e causa dor de cabeça”.

Antes de tudo, é preciso dar atenção ao solo, explica Glênio. “O solo onde a casa será construída precisa ser impermeabilizado de forma rigorosa, pois se a umidade subir pelas paredes, o mofo se tornará um problema crônico e difícil de resolver depois que o projeto estiver finalizado. Antes do assentamento de revestimentos e pisos, as chamadas ‘áreas molhadas’, como banheiro, cozinha, lavanderia e sacadas, devem receber uma camada de impermeabilizante”.

Ele afirma que planejar ambientes ventilados e bem iluminados é essencial, assim como garantir que o caimento do telhado e das lajes estejam corretos, evitando o acúmulo de água da chuva. Além disso, as calhas e rufos devem ser dimensionados para afastar a água das paredes externas.

“Agora, se a casa está pronta e tem mofo, alguns itens ajudam a conter o problema, como seladores e tintas antimofo, que possuem aditivos fungicidas e bactericidas. Estes são ideais para tetos de banheiros, cozinhas e paredes internas que sofrem com condensação”, explica o empresário. Para áreas externas e lajes, ele recomenda mantas líquidas ou asfálticas, e por fim, indíca que hidrofugantes e silicones são adequados para tijolos e pedras aparentes, impedindo a água da chuva de penetrar na estrutura externa e causar manchas e mofo no lado interno.

Sinais de que você é vítima do mofo

A médica Karla Curado pontua uma lista de sintomas que, se observados, indicam a necessidade de tomar providências para a manutenção do ambiente e da saúde respiratória, com acompanhamento profissional:

  • Espirros frequentes;
  • Nariz entupido ou escorrendo;
  • Coceira no nariz, olhos e garganta;
  • Tosse persistente;
  • Chiado no peito;
  • Falta de ar;
  • Sensação de aperto no peito;
  • Dor de cabeça;
  • Irritação nos olhos;
  • Cansaço excessivo;
  • Falta de ar e fadiga aos mínimos esforços.