O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, admitiu ter realizado um encontro privado com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A confirmação ocorreu após a divulgação de mensagens e áudios gravados que revelaram interlocuções para aproximar o magistrado do banqueiro.
O encontro aconteceu no Instituto ITER, uma instituição de ensino fundada pelo próprio ministro e localizada na região da Avenida Paulista, em São Paulo.
Articulação nos bastidores
De acordo com registros e arquivos de áudio extraídos do telefone de Vorcaro, o diálogo contou com a intermediação do advogado Ciro Rocha Soares e do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
Em mensagens enviadas em fevereiro a Vorcaro, o advogado Ciro Soares afirmou estar “trabalhando” pelo banqueiro e enviou registros de proximidade com o magistrado. Em um dos trechos, declarou: “O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo […]. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei”.
As conversas indicam que a reunião atendeu a um pedido de pessoas ligadas à área religiosa. O deputado Cezinha de Madureira orientou o acesso do banqueiro ao local do encontro.
O posicionamento do ministro
Em esclarecimentos prestados à imprensa e em nota oficial, o gabinete de André Mendonça confirmou a realização da reunião de cerca de 20 a 30 minutos, mas negou que os problemas do Banco Master junto ao Banco Central tenham sido o foco da conversa.
Repercussão em Brasília
O vazamento do material traz um novo desdobramento sobre as relações entre membros da alta cúpula do Judiciário e executivos do setor financeiro. O caso gerou fortes debates no Congresso e entre analistas de compliance, que questionam a realização de reuniões reservadas fora do registro oficial da agenda institucional e em instalações privadas.

