Banco Master: Fachin diz que medidas serão anunciadas no tempo devido

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que irá revelar “medidas cabíveis e necessárias” em resposta às mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro da Corte, Alexandre de Moraes.

Durante a abertura das 17ª Jornadas Ítalo-Espanholo-Brasileiras de Direito Constitucional, em Brasília, Fachin enfatizou que tomará as ações “no tempo devido e sem precipitação”.

“Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição”, destacou.

Fachin também comentou que “os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional”, e lembrou que as circunstâncias envolvem tanto “a atuação processual quanto sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza”.

Ele ressaltou: “A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal.”

“Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias”, finalizou Fachin.

Entenda o caso

Investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) descobriram mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. As citações ao nome de Moraes foram captadas a partir da quebra de sigilo do celular de Vorcaro, que é alvo da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no Banco Master.

O sigilo do relatório de investigação foi retirado na terça-feira (1°). Segundo a PF, Vorcaro teria trocado mensagens diretamente com um contato salvo com o nome do ministro. Parte das conversas foi apagada, pois esse contato utilizava mensagens de atualização única e as redigia em um bloco de notas, dificultando a recuperação total dos dados.

Em uma das mensagens recuperadas, Vorcaro comunica ao contato atribuído a Moraes que “estava tentando antecipar os investigadores”. Esta conversa teria ocorrido no dia 17 de novembro de 2025.

PGR se manifesta

Na noite de ontem (1º), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a nulidade da investigação da PF. Em uma manifestação enviada à Corte, Gonet alegou que o relator do caso, ministro André Mendonça, investigou Moraes de forma ilegal ao autorizar a ampliação da investigação sobre o caso Master para detalhar as conversas entre Moraes e o ex-banqueiro.

Segundo o procurador, essa profundidade da apuração deveria ocorrer somente após a autorização do plenário da Corte. Para Gonet, qualquer investigação contra Moraes deveria ser proposta ao presidente da Corte, Edson Fachin, para que o caso fosse levado ao plenário, e não executado diretamente pela PF.