Enquadrado como “pintor de parede” pela administração pública para receber por dois murais produzidos na Estação Ferroviária de Goiânia, em 1953, Frei Nazareno Confaloni se tornou um dos nomes de referência da arte moderna em Goiás. Mais de seis décadas depois, o artista italiano passou a dar nome ao museu instalado no mesmo prédio onde estão preservadas as obras.
O episódio ocorreu após Confaloni concluir os painéis Bandeirantes: Antigos e Modernos, que retratam a construção das estradas de ferro em Goiás. Como não havia previsão orçamentária específica para o pagamento de um artista, a solução administrativa foi registrá-lo como “pintor de parede”. Pelo trabalho, o frei recebeu 100 mil cruzeiros.
Nascido na Itália em 1917, Confaloni chegou ao Brasil em 1950 para pintar os 15 Mistérios do Rosário na Igreja Nossa Senhora do Rosário, na cidade de Goiás. O trabalho deveria ser temporário, mas o religioso permaneceu no estado até sua morte, em 1977.
Em 1952, mudou-se para Goiânia e passou a participar da formação do cenário artístico da então jovem capital. Foi um dos fundadores da Escola Goiana de Belas Artes, inaugurada em 1953, onde também atuou como professor de desenho e pintura. Mais tarde, a instituição integrou o conjunto de faculdades que participou da formação da atual PUC Goiás.
Confaloni também teve influência na formação de outros artistas. Siron Franco, ainda no início da carreira, utilizou o ateliê do frei e recebeu materiais para desenvolver seus trabalhos. Os dois chegaram a trabalhar juntos no Convento São Judas Tadeu.
A produção do artista incorporou elementos da realidade social de Goiás. Estudos sobre sua obra apontam a presença de trabalhadores, indígenas, negros e camponeses em pinturas religiosas, aproximando as referências da formação artística europeia do cotidiano brasileiro.
Confaloni morreu em Goiânia, em 4 de junho de 1977, aos 60 anos. Em outubro de 2019, uma lei municipal criou o Museu Municipal Frei Nazareno Confaloni na antiga Estação Ferroviária. O espaço preserva os dois murais pintados por ele em 1953 e mantém atividades voltadas à memória da arte e do modernismo em Goiás.
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