A trombose ocorre quando há formação de coágulos, conhecidos como trombos, que interrompem o fluxo sanguíneo nas veias ou artérias, sendo a trombose venosa profunda (TVP) a mais comum, geralmente se desenvolvendo nas veias profundas das pernas.
Dados do Ministério da Saúde revelam que, em 2024, mais de 75 mil registros da doença foram contabilizados no país. No primeiro semestre de 2025, esse número já superou 36 mil. Para alertar a população sobre a patologia, o dia 16 de setembro designado como o Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose.
O cirurgião vascular Fábio Cypreste, que atua no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, destaca que a trombose pode ser assintomática. No entanto, alguns sinais observados, como o inchaço em uma das pernas, dor ou sensibilidade, sensação de calor. E em algumas ocasiões, pode haver vermelhidão ou mudança de cor da pele.
“Se uma pessoa apresenta falta de ar súbita, dor no peito, coração acelerado ou tontura, é crucial pensar na embolia pulmonar e procurar imediatamente um atendimento de emergência. A trombose na perna pode ser silenciosa, e o problema surge quando o coágulo se desprende e chega aos pulmões”, alerta o especialista.
Grupos de risco e fatores de prevenção
Embora qualquer pessoa possa desenvolver trombose, existem grupos de risco que apresentam maior probabilidade. “Entre os principais estão aqueles que passaram por cirurgias ou internações recentes, que ficaram muito tempo imobilizados, que sofreram fraturas ou acidentes na perna, pacientes em tratamento de câncer, gestantes e mulheres no pós-parto”, detalha Fábio Cypreste. “Além disso, existe uma predisposição genética chamada trombofilia, que pode aumentar o risco, e quanto mais fatores de risco se somam, maior a atenção necessária”, complementa.
Para prevenir a trombose, é fundamental evitar a imobilidade, já que o sangue parado tende a coagular. Após cirurgias ou internações, deve-se movimentar-se assim que for seguro. Durante viagens longas, levantar-se e caminhar regularmente é importante. Manter um peso saudável e praticar atividades físicas também são recomendados.
“Para aqueles em alto risco, como pacientes após cirurgias de grande porte, internações, tratamentos de câncer, histórico prévio de trombose, e gestantes, a prevenção pode incluir o uso de anticoagulantes, além de botas de compressão pneumática e meias elásticas”, esclarece o médico.
Mitos e verdades
Fábio Cypreste, vice-presidente da regional Goiás da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, esclarece alguns mitos e verdades sobre situações que podem favorecer a trombose.
- Jovem pode ter trombose
Verdade: “Em pessoas jovens, é importante investigar fatores que aumentem a coagulação ou reduzam a circulação sanguínea. Aspectos como gravidez, pós-parto, cirurgias, imobilização, obesidade, tratamento de câncer e trombofilias considerados. Contudo, uma pessoa jovem e saudável não precisa viver com medo de trombose; o essencial é reconhecer situações de risco e identificar sinais de alerta”, ressalta o cirurgião vascular. - Uso de anticoncepcional
Verdade: “Alguns anticoncepcionais podem elevar o risco de trombose, principalmente os combinados que contêm estrógenos e progestágenos. Porém, esse risco é bastante baixo na maioria das mulheres saudáveis. O problema surge quando esses hormônios são associados a tabagismo, obesidade, histórico familiar de trombose. Ou em pacientes com trombofilia e outras condições que predispõem à formação de trombos. Em resumo, o anticoncepcional não é o vilão. O importante escolher um método adequado ao perfil da paciente”, explica o médico. - Toda cirurgia causa trombose
Mito: a realização de uma cirurgia não significa que a pessoa desenvolverá trombose. “Embora a cirurgia possa temporariamente aumentar o risco de trombose devido a fatores como coagulação maior e uma resposta inflamatória, o risco varia conforme o tipo da cirurgia e as condições do paciente. A equipe médica deve sempre avaliar o risco individual e realizar a prevenção adequada”, destaca o especialista. - Uso de testosterona
Meia verdade: A testosterona não considerada uma causa direta de trombose, porém pode aumentar a produção de glóbulos vermelhos, elevando o risco de eventos trombóticos. “Não se deve usar testosterona apenas para melhorar a disposição ou como tratamento anti-envelhecimento; ela deve ser prescrita corretamente e acompanhada, principalmente no que diz respeito ao aumento dos glóbulos vermelhos no sangue. O problema não é a utilização em si, mas sim o uso inadequado ou sem acompanhamento médico”, afirma Fábio Cypreste.- Cigarro e sedentarismo são fatores de risco
Verdade: Ambos podem aumentar o risco de trombose, mas de formas distintas. “O cigarro causa inflamação e alterações nos vasos e no sistema de coagulação. Enquanto o sedentarismo, ao promover longos períodos com pouca movimentação, contribui para a estagnação do sangue nas pernas, favorecendo a formação de coágulos. Portanto, parar de fumar e manter-se fisicamente ativo, além de manter um peso ideal, são medidas simples que ajudam a prevenir não apenas a trombose, mas também infartos, AVCs e outras doenças cardiovasculares”, conclui o cirurgião vascular.





