Estudo divulgado pela revista Taylor & Francis, uma das maiores e mais prestigiadas editoras acadêmicas do mundo, aponta que, entre 2023 e 2026, houve um aumento de 66% a 69% no número de pessoas com Síndrome da Visão Computacional. O levantamento, de peso internacional, considerou 66 mil entrevistados em 20 países, incluindo o Brasil.
Esse cenário é causado pelo uso excessivo de telas sem cuidados adequados, o que pode levar à fadiga visual, manifestando-se como cansaço e desconforto ocular, olhos secos ou lacrimejamento involuntário, fotofobia (sensibilidade excessiva à luz), visão turva ou dupla, dores de cabeça e enxaquecas. De acordo com o estudo, todos esses sintomas acabam por acarretar repercussões em outras partes do corpo, como dores no pescoço, costas e ombros.
“Sem contar com a sobrecarga mental, que resulta em queda de concentração, aumento da irritabilidade, dificuldades de sono, sintomas de estresse e ansiedade”, alerta Leiser Franco, presidente da Sociedade Goiana de Oftalmologia (SGO).
A importância da conscientização
No Dia Mundial da Visão, 8 de outubro, torna-se essencial promover a conscientização sobre os cuidados com a ergonomia visual. Segundo Leiser Franco, o esforço contínuo para focar em imagens emitidas por telas acarreta uma sobrecarga nos músculos oculares. A sensação de peso ou fadiga ocular é também sentida porque os olhos se cansam. “A sensação é de pálpebras pesadas ao usar o computador, o celular ou ler por algum tempo”, complementa o presidente da SGO.
Ele explica que o lacrimejamento involuntário é um ato reflexo: o olho ressecado envia um sinal de alerta ao cérebro, que produz um excesso de lágrimas líquidas para tentar se defender.
“Quando permanecemos concentrados em um monitor por longos períodos, nossa taxa de piscamento diminui drasticamente. Enquanto o normal é piscar cerca de 15 a 20 vezes por minuto, diante das telas, esse número pode cair pela metade, resultando em ressecamento da superfície ocular, irritação e sensação de areia nos olhos”, esclarece o médico.
Dores, fisgadas ou pontadas nos olhos, semelhantes a pequenas agulhadas ou uma dor latejante leve no fundo ou na superfície do olho, também são preocupantes. “Além disso, podem ocorrer incômodos no pescoço, ombros e coluna, decorrentes da postura inadequada diante dos monitores”, aponta Leiser.
Como prevenir e tratar
Para evitar a fadiga visual e o envelhecimento precoce das estruturas oculares, Leiser reforça a importância de adotar medidas simples de ergonomia visual no cotidiano.
Um dos pilares da ergonomia visual é a regra do “20-20-20”, técnica recomendada para aliviar o cansaço dos olhos: a cada 20 minutos de trabalho contínuo diante do monitor, deve-se realizar uma pausa de 20 segundos. “Nesse momento, deve-se direcionar a visão para algo situado a seis metros de distância. Essa prática auxilia no relaxamento da musculatura ocular, mitigando o cansaço dos olhos. Esse intervalo permite que a musculatura intraocular se relaxe gradativamente”, ensina Leiser.
O ambiente de trabalho também exige atenção especial quanto à iluminação e ao posicionamento dos equipamentos. É fundamental evitar reflexos de luz natural ou artificial diretamente sobre a tela, pois isso obriga a vista a fazer um esforço extra para interpretar as informações. “Visando impedir o reflexo luminoso direto nos monitores e amenizar o cansaço dos olhos, a recomendação é dispor o dispositivo perpendicularmente às aberturas de iluminação natural”, orienta.
O monitor deve estar posicionado ao nível dos olhos ou ligeiramente abaixo. Em laptops, é aconselhável utilizar suportes apropriados e periféricos externos. “Frequentemente, a inclinação excessiva do tronco ocorre como uma tentativa de compensar o posicionamento incorreto do ecrã”, explica.
Leiser Franco destaca que pequenas adaptações nas configurações dos próprios aparelhos eletrônicos podem causar uma grande diferença na rotina. “Ajustar o contraste e o brilho do monitor para que fiquem equivalentes à luz do ambiente é essencial. Além disso, o uso de filtros de luz azul durante a noite ajuda a diminuir o impacto negativo na qualidade do sono e no descanso visual”, pontua o especialista.
Outra recomendação frequente entre os profissionais de saúde ocular é a manutenção da lubrificação natural dos olhos. Em ambientes climatizados por ar-condicionado, que tendem a ser mais secos, o ressecamento da córnea pode ser exacerbado. “O uso de colírios lubrificantes específicos deve ser feito apenas sob orientação e prescrição médica adequada”, ressalta, lembrando que as medidas ergonômicas não substituem o acompanhamento clínico periódico.

