Terras indígenas da Amazônia têm 1,79 milhão de hectares com potencial de restauração

Compartilhe

As terras indígenas da Amazônia possuem cerca de 1,79 milhão de hectares com potencial para restauração ambiental, segundo dados reunidos a partir do TerraClass. Especialistas defendem que a recuperação dessas áreas seja conduzida com participação direta dos povos indígenas, considerando não apenas a recomposição da vegetação, mas também a segurança alimentar, a proteção da água e os conhecimentos tradicionais.

Dados de 2022 apontam 952,3 mil hectares de áreas degradadas dentro de terras indígenas da Amazônia, ocupadas principalmente por pastagens. Outros 24,4 mil hectares são destinados à agricultura e 18,9 mil hectares à mineração. Também foram identificados 840,5 mil hectares de vegetação secundária.

Apesar das áreas que precisam ser recuperadas, os territórios indígenas permanecem entre os mais preservados do país. Segundo o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas divulgado em 2026, apenas 1,7% da perda de vegetação nativa registrada no Brasil entre 2019 e 2025 ocorreu dentro dessas áreas.

A especialista da The Nature Conservancy Brasil (TNC) e integrante do povo Kaingang Diana Nascimento defende que a avaliação dos projetos não seja baseada apenas na quantidade de hectares recuperados. A escolha das espécies, a recuperação de alimentos tradicionais e as prioridades definidas pelas próprias comunidades também devem fazer parte do processo.

Para auxiliar na definição das áreas prioritárias, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desenvolveu, em parceria com outras organizações, um sistema que reúne informações sobre degradação, segurança hídrica, biodiversidade, mudanças climáticas, governança territorial, sustentabilidade, educação e saúde.

A ferramenta permite identificar territórios que podem receber prioridade conforme o objetivo de cada projeto. Áreas próximas a nascentes, matas ciliares degradadas, regiões com insegurança hídrica ou maior ameaça de incêndios, por exemplo, podem receber atenção mesmo que não apresentem os maiores índices de degradação.

Segundo os responsáveis pelo sistema, os dados técnicos servem como apoio e não substituem a decisão das comunidades indígenas sobre a realização dos projetos.

A discussão ocorre em meio à ampliação das metas brasileiras de recuperação ambiental. Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), o Brasil apresentou o compromisso de restaurar mais de 163 mil quilômetros quadrados de áreas degradadas até 2030.

As ações também estão relacionadas ao Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que prevê a recuperação de 12 milhões de hectares até 2030.

Fonte: Agência Brasil

Foto reprodução.

Leia também: https://noticiatodahora.com.br/goiania-prepara-concurso-com-200-vagas-para-guarda-civil-metropolitana/